• Ylê Asé
  • Taunkerã

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GALINHA DE ANGOLA

 

A galinha de Angola, chamada Etun ou Konkém no Candomblé; ela é o maior símbolo de individualização e representa a própria iniciação. A Etun é adoxu (adosú), ou seja, é feita nos mistérios do Orixá. Ela já nasce com Exú, por isso se relaciona com o começo e com o fim, com a vida e a morte, por isso está no Bori e no Axexê.

Diante das exigências primeiras sob a insígnia de Exu, o "senhor do mercado", os filhos-de-santo se inserem definitivamente em um sistema de obrigações e prestações, incorporando-se à estrutura hierárquica do terreiro, onde deverá realizar o bori, ou seja, a "feitura da cabeça", segundo os preceitos da vida piedosa de uma existência individualizada no candomblé, moldada pelos ritos iniciáticos.

O ritual do Orúko, ou dia-do-nome, revela a público a reprodução social do terreiro pela adesão de novos adeptos, que saem do recolhimento no runcó catulados, raspados, adoxados e com o corpo coberto de pintinhas brancas; metaforicamente renascidos, portanto, como galinhas-d'angola. Considerada um "bicho feito" na cosmologia do candomblé, a galinha-d'angola é o símbolo focal dos ritos de iniciação, elo de comunicação direta entre os homens e os deuses, ideal de plenitude da vida.

A obrigação final de ir à missa encerra o processo ritual de iniciação com uma espécie de desafio, que tem lugar no templo e no rito de outra confissão religiosa. A vindicação do sagrado sob a forma de um escândalo, marcado pela presença visível do povo-do-santo no espaço público da igreja católica, transforma-se em uma experiência definitivamente inscrita na memória dos novos iniciados. Afinal, por que o iaô tem de ir à missa?

No jogo entre a humildade e a arrogância dos iaôs em romaria, os limites identitários e o conflito deflagrado permitem uma interpretação que escapa das armadilhas espistemológicas do "sincretismo", insuficiente para explicar as transações e o engajamento conversacional estabelecido entre dois universos religiosos distintos e dialeticamente complementares no Brasil.

A galinha d'angola está presente nas mais importantes cerimônias do candomblé. Sem ela não existiria vida, já que representa o elemento primordial nos mitos de criação, o alimento de deuses e de homens, a oferenda propiciatória de axé e equilíbrio, enfim, o bicho "feito" tão à mostra que não se tinha dado a ela, até então, a devida importância.

Mas é justamente a guiné, a galinhola, a pintada, a conquém o fio condutor pelo qual adentramos os terreiros, participamos de suas cerimônias, discutimos conceitos de vida e axé e, ao fazê-los, estamos dando, com certeza, um passo importante em direção à compreensão de nossa formação social e à conseqüente afirmação de nossa identidade.

A história da Galinha d'Angola

A Galinha de Angola era uma ave muito feia e por isso, afastava as pessoas de perto de si, mesmo sendo muito rica. Ela vivia abandonada em uma grande floresta em meio a sua riqueza.

Cansada de ser desprezada, resolveu consultar o oráculo sagrado no Palácio de Obatalá. Quando lá chegou, o Sacerdote a colocou para fora, dizendo que ela deveria estar usando um Alá branco para entrar na casa do Grande Deus Funfun. Ainda mais triste, a Galinha de Angola resolveu ir para outra floresta e de uma vez por todas, deixar de conviver perto de
tudo e todos.

Após 21 dias caminhando, a Galinha de Angola parou em uma floresta, sem saber que era sagrada (Igbodu). Lá, ela encontrou um velho maltrapilho gemendo de dores. Esse velho disse:

“Pare! estou muito doente e não tenho dinheiro para me alimentar, me dê o que comer e beber, por favor,”!

A Galinha de Angola pegou tudo o que tinha e deu ao velho homem que, após saciar a sua fome e sede, caiu dormindo em sono profundo. A Galinha de Angola continuou preocupada com o velho e ficou ao seu lado enquanto ele dormia. Ao acordar, o velho perguntou-lhe, porque ainda estava lá, fazendo companhia para aquele velho maltrapilho.

A Galinha começou a dizer que não poderia abandoná-lo, pois ele estava precisando dela, dize sua história ao velho, falando que todos lhe achavam feia, com um aspecto repugnante e que não mais queria viver.

O Velho respondeu que o seu exterior não importava em nada, pois por dentro, ele era um dos seres mais belos que existia. Disse que aquela era uma floresta sagrada e que na verdade, ele era Obatalá. A Galinha de Angola ficou surpresa com a revelação, pedindo-lhe desculpas por entrar na floresta sagrada.

Obatalá pegou Efun e começou a pintar a Galinha de Angola, que ficou muito bonita. Além disso, Obatalá disse que, o maior símbolo para os iniciados era o Osù e modelou um na superfície da cabeça da Galinha de Angola, dizendo que, a partir daquele momento, ela seria o Animal mais Sagrado do Culto aos Òrìsàs, pois somente ela, traz o Grande Osù em sua cabeça.

Essa história é um grande ensinamento, pois mostra que não podemos julgar ninguém por sua aparência, mostra que não devemos jamais negar comida e bebida. Nossa religião oferta, ajuda e acolhe, essa é mensagem que devemos guardar.

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